É quando a gente sente que falta não só o ar, mas o chão e essa não é uma sensação parecida com a de estar flutuando no céu, no meio das nuvens. As vezes as pessoas não percebem que o apoio nosso de cada dia é fundamental. As vezes as pessoas sequer reconhecem o apoio seu de cada dia. Mas ele tá lá. Até que uma hora, em fração de segundos, ele some. A primeira reação é lutar instintivamente contra a gravidade. Aí o braço estica e as mãos pedem socorro. Com sorte tem alguma coisa alcançável que vai servir de consolo. Nesse momento é que se descobre a força que se pode aplicar nas articulações dos dedos, na tentativa de agarrar e não perder. É medo misturado com trauma, que é dor. O buraco é fundo e cair aos poucos talvez seja pior do que cair de uma vez. Ir despencando cansa e adormece o corpo. Mas isso não quer dizer que há qualquer isenção de sensibilidade. Quer dizer que é tudo tão intenso, que por hora parece que nem existe mais alguma possibilidade de sentir. É êxtase, mas é dor. O ar é pesado e vem de encontro ao corpo, que acompanha a lentidão do processamento da mente e sequer corresponde as expectativas. É um buraco e é negro mas não é sem fundo. Lá vem o chão. É duro. A queda vai ser bruta, porque é proporcional a altura. Depois de sentir a realidade em forma palpável de novo, é válido lembrar o que te fez ir tão alto, antes de chegar tão fundo, e pensar se isso não vale a força de reagir e levantar.
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