Foi em 18 de abril que eu recebi, li e chorei com esse teu email. Estamos em 20 de julho e é impressionante te ver melhor. Eu sei bem que 'melhor' tá longe de ser cem por cento e entendo que cada vez que a gente melhora, a cada passinho que a gente dá adiante, a gente lembra, com um aperto fodido, o que tá deixando pra trás. E pra deixar um pouco pior, nessa hora eu ainda me pergunto 'por que, cara?'. Mas é exatamente assim e vai ser sempre assim. Uns passinhos doídos que vão fazendo a vida passar e vai passando e vai indo e vem vindo. Quando a gente vê já tá no meio de outra bagunça, de outra cidade, de outros assuntos, nos braços de outras pessoas. Veja bem, não me refiro a bagunça em um sentido pejorativo. Carnaval também é bagunça, party hard é bagunça, balcony party é bagunça. A gente aprendeu a gostar de uma boa bagunça. Nosso coração é uma bagunça sem fim, mas isso não quer dizer que ele não possa ser um lugar extremamente confortável às vezes. Lembra do teu coração, Lulu. Não deixa ele esquecido. Não pensa que depois que ele foi ferido ele morreu. A gente aprende (a) sobre-viver. O pulso ainda pulsa também. E isso é a vida! E continua, e é bonita e é bonita. Sem vergonha, sem certeza, sem amor e com ele também. A gente cresce e forma uma casca dura ao redor da gente, pra se proteger. E é normal. Aliás, é saudável! Mas não esquece que a gente continua vivendo e enquanto a gente viver, a gente vai precisar amar. Não perde o amor, Luk! Não fica distante, não foge da vida, porque a tua vida é a gente também e a gente precisa de ti. Uma vez eu ouvi a tia Cris dizendo pro Davi: 'mas você tem que aprender que existem as coisas que a gente quer e as coisas que a gente precisa'. E agora você precisa.
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