Eu não vou me desculpar por você ter me transformado nessa pessoa intolerante - quase pior do que você. Também não me isento da responsabilidade pelas minhas escolhas - inclusive da escolha de me manter desse jeito. Somando minhas responsabilidades e o grande estrago que você me causou não sobra um pingo de arrependimento pra contar como tudo aconteceu. Não sobra sequer uma versão da história porque eu tenho preferido pensar que ela nunca aconteceu - embora permaneça, não doendo, mas apenas permaneça guardada, mesmo que seja disfarçada em algum texto cheio de raiva que eu derramei por aqui. Quem sabe guardar o que você tem de pior não seja a melhor forma de me proteger de tudo o que você representa, incluindo uma saudade do-lo-ri-da que eu consegui esquecer que um dia, a long time ago, existiu e machucou.
Sabe que eu nunca me orgulhei de ter me tornado uma pessoa intolerante. Acontece que durante muitos dias eu estive sozinha com essa intolerância e na hora de acertar as contas, eu aprendi até que podia gostar disso. Aliás, eu ia dizendo que dos males o menor porque você, pelo menos, me fez aprender lições que me são extremamente úteis. É realmente melhor pra minha saúde abandonar o barco antes que eu mesma precise remar, re-amar, amar de novo. - Aí eu pensei mais uma vez e na verdade, nunca achei que a melhor forma de fazer alguém aprender a nadar fosse empurrando a pessoa em uma piscina. Forget, não me ensinou, você me torturou. Nem isso você fez de bom.
Hoje alguém falou no teu nome com tanto carinho... Eu não consigo sequer dizer que gostaria de ter sentido o mesmo. Ao invés disso me vem um gosto amargo na boca e uma vontade de que você simplesmente pare de aparecer na minha vida - mesmo que seja na saudade das outras pessoas. Você poderia simplesmente sumir do universo porque honestamente, ele não precisa de você pra complicar a vida de ninguém. Ou você já parou de ser alguém que faz questão de complicar?
Eu poderia resumir essas palavras em uma grande angústia por não ter sentido vontade de te dar um abraço sincero. Isso é o que eu tenho de mais verdadeiro por você: a falta de um sentimento bonito que me faça querer te olhar nos olhos e tentar acreditar neles qualquer dia desses - a falta.
Pensar em você parece muito com o que eu acho que seja uma grande perda de tempo. - Não me resta sequer uma vontade de te dar uma chance resumida em dois ou três minutos. Perda-de-tempo: foi nisso que a minha intolerância te transformou.
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