segunda-feira, 14 de maio de 2012

mãe:
s. f.
6. Origem, causa, fonte. 



Imagina uma carta que foi escrita pra você ler uma vez só e nunca mais. Uma carta-bomba-relógio. Palavras atiradas nocivamente contra teu peito vazio. O vazio de uma pessoa, a única que nenhuma outra consegue substituir. Um peito vazio de uma única pessoa. Parece pouco dito assim, embora dramático. Mas confere uma emoção tão unicamente grandiosa que não fosse esse adjetivo, não caberia outro. Frases tão irremediavelmente verdadeiras que não poderiam doer mais. À essa altura da desventura que foi outrora viver, nenhuma outra colocação me pegaria pelo peito-vazio quanto as que a bomba, digo, carta, mostrou. Fico pensando se pode existir um medo maior de perder alguém do que quando esse alguém te diz que perder você foi como perder a alma. O amor é dito real quando você sente na sua carne a dor que doeu no outro corpo com a sua perda. Amar não pode ser menos íntimo do que isso. Amar não pode ser menos do que eu e você. Mesmo nessa carta, mesmo que esteja prestes a explodir, mesmo que tua letra pequena tenha me dado aflição aos olhos ansiosos, mesmo que tenham escorrido lágrimas. Mesmo com a tua-minha dor, amar não poderia ser diferente. 

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