sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Por hoje - Eu continuo não pensando em você

Aqui faz sol quase todos os dias, dá praia quase sempre e as areias de Ipanema têm aquele colorido de guarda-sol, que misturado com biquínis, pranchas, o azul da água não deixam nenhum espaço pros tons de cinza a que você me remete. Não fosse pelo "quase", eu poderia passar todos os dias sem pensar em você. Aí acontece uma vez ou outra de abrir as janelas e dar de cara com nuvens, aí eu procuro no céu o Cristo - porque nessa cidade o Cristo é referência pra tudo, né - e no lugar dele tem um monte de neblina branca, sem cor. Nesse exato momento, entre a expectativa de ver raios de sol e encontrar um dia cinza, aparece você nas minhas pálpebras. O tempo corre nos relógios cariocas, não demora já chega o pôr-do-sol e os tons alaranjados voltam a tomar conta do céu outrora azul-em-tons-de-cinza. Os finais de tarde permanecem claros, na maioria dos dias, e bem, luz é sempre muito bem-vinda contra qualquer lembrança escura que ainda reste de você. Desde que mudei pra cá tenho pensado muito em como as noites são noites em todos os lugares. O céu é escuro, não costuma ter rastros de nuvens, o vento é frio, é preciso tá mais agasalhado, é preciso dar mais abraços, dá mais vontade de se apaixonar. Noites de inverno têm mais gosto de amor de verão. Nessa parte é realmente fácil continuar não pensando em você. Afinal de contas, tem rodas de samba na Lapa de segunda a segunda e na boemia não tem lugar pra pessoas como você. É impressionante o prazer de andar solto por aí e não saber com que caras você vai dar de encontro, com que cheiros, com que línguas. O centro do Rio de Janeiro é um lugar tão cheio de gente, e gente bonita, diferente, interessante, gente velha tropeçando pelo asfalto em paralelepípedo com copos-para-sempre-meio-cheios nas mãos, gente jovem cantando a solidão como se fosse antiga a vida - que aqui já tem o suficiente e não faz falta você. Só é uma pena que essas noites não durem todos os dias da minha semana. Há terças-feiras em que é preciso descansar os pés do samba e a cabeça das ressacas. Aí quem sabe alguma coisa na hora de dormir me lembre você. Nas quartas-feiras não, porque há pilhas de livros para serem lidos e novas gestalts a serem abertas, até porque a maioria delas já foram fechadas - inclusive você. Não fossem as exceções aos dias ensolarados, às noites intermináveis, aos livros inacabados, não existiria você. É só quando alguma coisa dá errado, mas muito errado, que me aparece de canto algum pensamento em você. 


"PS: (...) E amanhã tem sol."

Um comentário:

Tomaz Penner disse...

Sempre o sol, principalmente pra esse lado daí.