sábado, 22 de setembro de 2012

Pisando em nuvens

Quisera ter passado como nuvem, leve, calma e distante da terra. Quisera ter vestido sua alma com tecidos finos, verdes, amarelos, longos. Então caminhar pelo azul lá do alto pisando em algodões brancos, colocasse na boca até sairiam doces. Desse adjetivo deixar escapar da lembrança aquele beijo com o gosto daquela fruta favorita. E de pedaço em pedaço, de beijo em beijo, permitir aos corpos que se atraíssem com força e a leveza dos ventos que vem de outra direção e bagunçam nossos pensamentos. A cada mordida, a cada toque entre os lábios, transparecer o vermelho da cor da fruta na carne viva - de viver, não de doer, mas de sentir absolutamente todas as partes da pele como em analgesia - como quando sorrimos e estamos livres de todos os males - contrária a dor, contrária ao amor que é feito de disso também, contrária mesmo a viver, que por excelência não passa de repetidas tentativas de amar. E seguir pelas nuvens pisando em sonhos como quem acredita agora na realidade apenas porque ela é bonita. 

3 comentários:

Gugu Keller disse...

O amor é a vida. A dor, o seu preço.
GK

Tomaz Penner disse...

Acho que acreditar é a pedida da vez.

Felipe disse...

Lindo!