sábado, 22 de dezembro de 2012

16

Tenho muito medo da escuridão de um novo amor. Essa sensação de entrar em um quarto escuro e tatear móveis até achar um interruptor me dá um engasgo e uma vontade danada de dar meia volta e continuar apenas onde a luz já está acesa, onde eu não corro o risco de tombar com o pé na ponta da cama ou na quina da mesa. 
Você veio durante três anos, de uma vez por todas, veio certo. Entrou, mesmo que desconfiada, sorrindo. Entrou contente, menos carregada, quase brisa. Comendo pelos lados, nessa serenidade imprudente e sobretudo com uma paciência impertinente. E eu, apressada, quebrei a cara com um sorriso no rosto. Deixei meu corpo mole, morno, descansei a cabeça e fechei os olhos até o dia em que você me botou de quatro pela primeira vez e percebi o quanto eu poderia ser verdadeiramente quente para alguém. Você. 
Eu nunca acreditei em "o amor estava ao lado e eu não via", "o amor está onde menos se espera". Depois de um ciclo vicioso de erros, eu sequer acreditava em amar alguém de novo, na verdade. Com intensidade, sinceridade, leveza. As coisas estavam pesadas demais e quando se foram, as minhas crenças ingênuas se foram também. Mas a quem eu quero enganar se um dos maiores clichês da vida é a descrenças na capacidade de amar novamente?
Mais valia meu coração intacto do que um pranto frustrado. Mesmo assim os dias teimavam em passar como semanas e as semanas como meses, e eu não tive escolha a não ser me entregar para você, fincar as unhas na tua pele, tua coxa macia, esquentar tua virilha com a minha língua, te inundando em paixão, pesar no teu corpo e na tua vida. Leve, doce. 
A vontade de me registrar fundo nos teus dias foi inevitável. E tudo bem, por que não? Talvez não fosse mais necessário ter cautela para ser feliz, talvez porque finalmente não fosse mais necessário me privar de amar. Porque você se tornou necessária. Você se tornou amor. E amar você em mim. Você. Amor. Nós duas. 
No final das contas, eu fico terminantemente satisfeita por descobrir que é você. Por acreditar que você poderia ressignificar "amar". Por ser apenas e unicamente você - e amar era algo que eu havia feito questão de esquecer. 
Eu fico incrivelmente feliz em saber que me encaixo tão bem em você. E que até as diferenças se encaixam. Eu poderia rasgar meu rosto com um largo sorriso, gritando em silêncio para você compreender tudo isso. Que bom que você. Eu fico feliz. Você feliz.   

2 comentários:

Felipe disse...

Texto mais leve que um dente-de-leão.

S disse...

whCara, eu fiquei até emocionada. Que coisa gostosa que é um amor novo.