domingo, 17 de fevereiro de 2013

Te escrevo daqui, de onde o tempo não anda mais na circunferência desse relógio na parede. Aqui, nesse lugar onde o azul continua lindo no céu e no mar, mas agora parecem cores cheias de nada. É como se as águas fossem vazias de vida e o céu vazio de sonhos. Não é como se tudo tivesse ficado opaco ao meu redor, porque a lembrança de ti que ficou nos meus olhos ainda colore o mundo. E mesmo a saudade é colorida, porque tem dia e hora pra ser chutada pro mais longe de nós quanto a força do amor possa chutar. Não é como se as pessoas tivessem virado zumbis vagando pelas ruas. É só que eu ando por aí e me falta teus passos pelo lado. Teus pés que tremem com as pernas e as mãos - incertos dos caminhos novos por onde descobres ares mais leves, enquanto encantos saltam por entre os dentes com tamanhos sorrisos que brilham no teu rosto. Me faz falta o som da tua gargalhada desconcertada, quando teu olhar dá de encontro com a novidade em que o mundo se transformou. Os desenhos bonitos formados pelos morros, os sotaques, as peles bronzeadas - isso tudo, eu juro, vai continuar lindo, mas um pouco menos encantador na ausência da tua sombra perto da minha. Não se preocupa, eu fiz um esforço tremendo pra te dizer, e lembra que o amor aconteceu e agora existe a vida a nossa frente. Lá adiante o Rio de Janeiro vai permanecer no mesmo lugar, e eu junto a ele, vou permanecer te esperando com a voz embargada de ansiedade e o corpo escorrendo de saudade.

2 comentários:

Felipe disse...

Como sempre, uma lindeza de texto!

Vereneura disse...

não me fala de saudade