domingo, 16 de junho de 2013

Carta de muito longe

"Saudade, do latim "solitate", recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas, diz o Aurélio. Eu prefiro dizer que é a dor da sua ausência. Silenciosa, gentil, paciente e quase gostosa, se não fosse o fato de me fazer imaginar você em cada cômodo da casa. Na pia da cozinha, abrindo a geladeira ou a janela, entre os lençóis emaranhados da cama, compenetrada no notebook do sofá ou escutando a bossa nova que o vizinho do outro lado da rua gosta de escutar. A melhor parte dessa dor é a espera do 'daqui a pouco estamos juntas', você sabe que eu sempre achei bonita a dor do amor. Se não há dor, não é amor, se há apenas dor, não é amor. Mas se é amor, haverá dor, nem que seja apenas de saudade. Ou talvez ciúme. Ou dor nos joelhos quando você resolve me por naquela posição.
Seria muito infantil da minha parte dizer que eu gostaria de ter poderes para me teletransportar? Pois saiba você que meu passatempo predileto é me imaginar em vários lugares do mundo com você. Aquela velha coisa de fechar os olhos e fantasiar ajuda muito. De verdade!
Um dia teremos um quadro na sala de estar, um mapa. Iremos botar alfinetes em todos os lugares que conseguimos conhecer. Mas seria muito mais legal se pudéssemos nos teletransportar, você não acha? Que tal assistirmos o pôr-do-sol no alto de uma montanha? Ou assistir o dia nascendo em alguma praia paradisíaca? Ou tomar um suco em um restaurante aberto com muito vento com a música que você mais gosta ao fundo, jantar à luz de velas no terraço de um hotel vendo a lua?
Seríamos um casal rico em cultura, com belas paisagens na lembrança e um acervo musical infinito. Aí da onde você está passando agora, daqui onde eu estou fumando e mais de 3.000 km entre nós duas. Embora distante, faz parecer que nosso amor é mais forte e mais bonito do que muitos amores desperdiçados pelas ruas.
Antes de conhecer você eu tinha planos, sabia? Mas nenhum deles era tão bonito quanto os que eu coleciono agora. Eu gosto muito dessa coisa de você e eu, eu nos acho um casal digno de respeito, mesmo com tantas gargalhadas no nosso cotidiano, nos sinto de longe, nas ruas de Ipanema, no forte de Copacabana, lugares tão mágicos que você me mostrou. Tem nós duas naquela cama macia da Diogo Móia, posso sentir seu perfume antes mesmo de chegar lá, ainda na Generalíssimo. A propósito, você pode voltar a usar seu perfume antigo? Lembra primeiro beijo. 
Você percebeu que assim como você, passei a usar o nome das ruas de forma romântica? Mas não é à toa, é que depois de nós, eu passei a dar nomes a tudo. Porque tudo tem significado agora, mesmo o nada tem. Fazer tudo e nada significa algo, quando estou com você.
Quer saber como funciona? Sempre quando tomo banho e deslizo as mãos para minha nuca, me vem você na cabeça. "Meu lugar preferido no mundo", você disse, você deu significado. Bom, para mim, "Meu lugar preferido no mundo" é onde quer que você esteja.
Feliz sete meses, feliz 212 dias ao seu lado, com os olhos e o coração voltatos apenas para uma pessoa: você.
E não se culpe se a caso esquecer da data do nosso início algum dia, todo dia ao seu lado será motivo para ser feliz, portanto, para comemorar. Para acordar abraçada em você, tomar café da manhã, almoçar, jantar, amar, dormir.



Beijos,"

Nenhum comentário: