sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Teu quarto, Catto

Como me pedir para manter a calma? Se a calma que me pedes é mais além.
A calma que tu falas é uma boca e a saliva profanando o que há de santo em mim. Como me pedir para deixar teu quarto em pazSe teu quarto é um templo onde eu ergui para ti um monumento ao teu prazer. Para ti... um monumento... E fiz dessas paredes nosso escândalo, nosso mapa, nosso vão receptáculo. De tanto arfar, de tanto corpo que eu deixei vazar pelas entranhas do teu travesseiro, tua coberta ainda tem a mim escancarado, aberto os olhos.
Nos teus olhos os meus sempre molhados pela brisa que transpiras. Como me pedir para lembrar das coisas boas, se coisas boas são saudades? E saudades, o que são? Se não eu, um extremo, um telefone. E você me pedindo: calma, amor.

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