quinta-feira, 19 de junho de 2008

Inter Ação

A primeira impressão é distorcida, tá longe, mas quando o tempo brinca de passar aquela figura vai aproximando, fica cada vez mais nítida, chega perto e pára, bem ali, logo do lado. É uma exploração. É curioso analisar o desconhecido. Comparar cada parte, espantar-se com cada diferença, reconhecer cada semelhança, envolver-se com tamanha intensidade. Chega a hora de perder o controle. Assusta. Não faz sentido, mas os olhos não cansam de procurar uma resposta. Não é mais hora de voltar atrás. As mãos já estão entrelaçadas, os braços dados. E de repente... Estático! Nem pra frente, nem pra trás. Ninguém se mexe. Tudo parou. É um incômodo forte. Parece pedra. Dá medo de que alguma coisa tenha se perdido. Parece mágica. Quando alguém resolve acordar, percebe que já tá perto demais, já viveu demais, aproveitou demais, já sabe demais, já tá farto demais. Foi o suficiente. O corpo cansou! É tempo de movimento. Mexeu. Mudou. Cada estalo é um passo errado. E vai quebrando. Tem pedaços por todos os lados. Tem pedaços debaixo dos nossos pés. Da soma dos pedaços que já não servem, apareceu uma parede (...)

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