sexta-feira, 25 de julho de 2008

Carta

Eu vou te escrever mesmo sabendo que, eufemicamente falando, teu forte nunca vai ser ler. Quem sabe eu não consigo despertar um mínimo de curiosidade, que seja, pra te fazer passar o olho mais atentamente no que tá aqui, pra tu esqueceres só um pouco o quanto essa estória de palavras escritas te cansam. Se tu tivesses em algum lugar muito longe de mim, eu falaria sobre a saudade, que aumenta quando percebo a quantidade de coisas que tem a tua cara nos meus dias e sentiria prazer em poder te contar o que de novo eu, supostamente, havia descoberto na tua ausência, ou sobre o quanto eu sempre tive certeza de que algumas coisas nunca iam mudar. Se eu tivesse em algum lugar muito longe de ti, eu falaria, certamente, sobre a saudade vírgula o quanto eu me sinto "sem" quanto não tem. Até ia te perguntar da vida, do trabalho, do tempo que a faculdade rouba da gente, dos amigos da faculdade que eu morro de ciumes. Aí ia ser a tua vez de descobrir que tem coisas que realmente não mudam. Depois ia deixar um campo aberto pra tu falares sobre o que tu quisesses, assim, a tua escolha. Tipo, nas tuas mãos. Tu ias ver como tudo o que vem de ti não ia deixar de ser importante pra mim e no quanto eu confio 'nas tuas mãos'. No caso de ser um momento difícil, eu escreveria pra te mostrar que eu me incomodo com qualquer coisinha errada que tu possas encontrar por aí, pelo meio do chão onde tu pisas sem olhar, sem prestar atenção(como sempre) e que enquanto eu for amiga, vou encher meu pulmão de fôlego pra te cantar don't be afraid, you can call me. Tu ias lembrar que tem a mim, toda pequena e baixinha, cheia de vontade de te arrancar um sorriso daqueles que transbordam um pouco da loucura bonita que tu guardas. Se fosse uma coisa difícil entre a gente, eu ia tá com aquele meu coração muito vermelho, de quando bomba muito sangue e emite aquele tUm-tuM, que nesse caso mais ia parecer uma maneira orgânica de te pedir um abraço, pra acalmar o medo meu de que qualquer coisa, qualquer dia seja difícil demais pra gente. Agora não é o caso de nenhuma dessas situações. É aquela hora do 'e agora, o que eu faço/digo?'. Essas horas são, pra mim, muito tuas, no sentido de que é a ti que eu vou sempre e sempre recorrer. Pra ti essas horas não são e isso já nos rendeu algumas daquelas discussão que parecem sem fim, parecendo até que a gente sabe reconhecer a importância de um bom diálogo(pra não dizer que a gente adora brigar). Já ter passado por todas essas coisas encheu minha insegurança de defeitos e me fez pensar sobre a possibilidade de que eu não preciso de um motivo pra ter vontade de te escrever e falar sobre as mesmas coisas que tu ouves e vês todos os dias, os dias todos. Que a gente não tem um porquê de ser o que é e é nisso que consiste a coisa mesma. Mas se um dia for preciso explicar, a gente se detém a dizer que é porque junto é melhor. E muito!

2 comentários:

Anônimo disse...

Liliane,

Isso foi uma das coisas mais puras e bonitas que eu li. Assim, do coração mesmo. Teu coração deve ser bonito porque tuas palavras são, e isso me basta pra continuar visitando o teu canto.
Sinceramente, poucas pessoas conseguem me deixar sem conseguir dizer, tu me deixaste e as palavrinhas não conseguem sair.
Moça escritora, um abraço apertado do lado de cá (que eu vou ler as outras letras espalhadas por aqui).

Nina

Unknown disse...

muito bom ler isso.
faz lembrar de gente que ta longe e ajuda a trazer pra perto.
faz a gente perceber que distância não é nada quando se quer ficar junto.