sábado, 1 de novembro de 2008

Aí eu te pego pelo braço com toda a força que a tua raiva deixou dentro de mim, aponto o dedo na tua cara e todas essas idéias, pensamentos, toda a minha aflição não me deixa parar de te dizer. Era você a pessoa que me puxava da cama, da minha tristeza, me segurava pelo braço e me fazia escrever tudo o que eu queria falar. E eu te falava, sempre. Naquele lugar escuro eu não podia te escrever, mas eu te gritei porque, não diferente de todas as outras vezes, eu precisava que você me escutasse. Eu te segurei, me segurei. Meu corpo só não pesava mais do que a minha cabeça. Tava tudo rodando e não era o álcool, era o meu coração que batia forte e me deixava sem ar. De tanta exaltação, foi preciso que caísse aquele copo de cerveja da minha mão, foi preciso que eu te esquecesse ali, na minha frente, pra olhar todo aquele vidro no chão, toda aquela cerveja que se espalhou e pensar que certa vez nós falávamos sobre um vaso, em nossas mãos, sobre o cuidado pra não cair. Pensar que as metáforas ainda existem entre a gente. Tem coisas que ainda existem entre a gente.

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