Eu tava nessa praia e veja só você, nunca gostei muito de banho de mar, do agito das ondas. Por outro lado, é verdade que o som do vento que vem do horizonte junto com o das ondas quebrando nas pedras é muito sonoro aos meus ouvidos cansados de ouvir as mesmas velhas histórias. Então, eu tava lá havia algum tempo e depois de ver a beleza e a tristeza do mesmo sol nascendo e se pondo por tantas semanas, levantei daquela areia, que no começo era incômoda e depois até se adaptou as formas do meu corpo, e fui. Fui sem saber pra onde eu tava indo e ainda não descobri se sair daquele lugar onde fiquei tanto tempo, foi um impulso ou foi um caso bem pensado.Lembro bem da dor que eu senti nas pernas , que pareciam totalmente amortecidas pela falta de circulação e eu me surpreendi com a minha falta de atenção em detalhes como estes. Andei o tempo inteiro buscando uma luz que talvez eu só encontrasse no final do túnel, mas o que eu achei não foi um túnel. Me vi diante de uma estrada com dois caminhos. O da esquerda era o caminho onde tinha aquelas pedrinhas que talvez doam nos pés mais do que os pedregulhos, um pouco mais a frente dava pra ver os buracos, que nem eram tão grandes, deixando ao menos a possibilidade de conseguir me desviar, mas se tropeçasse, e certamente aconteceria já que minhas pernas estavam cansadas, eu não escaparia da dificuldade de me erguer novamente, já que tratava-se de buracos não muito rasos. O que eu via a minha direita era um caminho mais fechado, cheio de mato e plantas altas por todos os lados, no chão eu não escaparia de muita lama, que alguma tempestade aliada a muita terra deixaram por lá. Se eu parasse pra respirar, podia até sentir o cheiro bom dos jasmins que estavam perdidos, mas parar talvez fosse um problema, já que eu tinha pressa. Eu tenho lá minha urgência de chegar logo a algum lugar. Galhos me arranhariam os braços e pernas, quem sabe deixariam marcas no meu rosto. Eu usaria de muita agilidade nas mãos pra tirar da minha frente todo aquele verde bonito e empurrar pros lados, pra não me acertar.Quebrar as plantas ao meio poderia ser uma opção, se eu não me sensibilizasse tanto com coisas que não tem mais volta. Me meter na lama me custaria sair suja e a parte da satisfação ou não que isso me traria na chegada, não podia ser mera consequência. Me mantive parada entre m lado e outro, sem saber se pensava em tudo ou se nada passava pela minha cabeça naquele momento. Não parei de lembrar daquele sol, aqueeele sol da praia! Lembrei da adaptação que eu e a areia conseguimos manter entre nossos corpos e até da minha visão da força do ir e vir de todos daqueles dias. Minhas pernas me lembravam do trabalho que deu chegar até aqui e de como meus músculos estavam tensos pra ter que enfrentar qualquer um dos caminhos que estavam adiante (...)
2 comentários:
escolhe um desses, se não der certo, volta, sempre há a opção de voltar.
e ó, acordou em grande estilo, hein
eu sempre leio os textos daqui muito rápidos!
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