quarta-feira, 16 de junho de 2010

Se pediu, aguenta

Três ou quatro, eu diria, a quatidade de vezes que eu imaginei que você fosse mesmo a melhor coisa que me aconteceu. Se não me engano deve ter sido quando você me fazia rir a madrugada inteira, ou quando você improvisava um chão - duro, é verdade - pra eu não cair. Pode ter sido também algumas das vezes que você me segurou pelo braço - forte, também é verdade - e pediu pra eu não ir embora. Também tem a possibilidade, aliás, certeza de que você pode ter sido a melhor coisa quando a gente olhava pra trás e pensava no quão diferente seria nossas vidas se não tivesse errado tantas vezes o mesmo passo. Bullshit. Acontece que são incontáveis, e eu nem teria memória pra citar quantas vezes você foi a pior. Em todos, não em alguns sentidos. Acontece que você tá fazendo isso de novo. Ontem você foi a pessoa que me deu a notícia mais ardente dos últimos meses. Você me deixou dormir feliz. Hoje você roubou meu sorriso e sorriu, como se esquecesse que eu conheço seus traços, e me tirou a paixão com um assunto qualquer que eu aposto que nem faz diferença à você. Vai ser só mais um, não vai? Como todos os outros. Um dia desses alguém me soprou os ouvidos avisando baixinho que você tá sempre jogando. Lembrei que você costuma me aconselhar com: 'life is a game, be a player'. Eu confesso que até tentei fazer parte disso. Mas arrumar o tabuleiro me desestimula. Eu prefiro que as coisas simplesmente aconteçam. Assim, sem precisar preparar um território, como se eu tivesse lidando sempre com um inimigo. E talvez seja verdade que eu estou. Mas se hoje você me perguntar 'why don't you play the game?', eu vou responder com 'tables, they turn sometimes'.

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