terça-feira, 12 de outubro de 2010

Perdi o sono. O relógio do computador marca 5 horas e 47 minutos. De repente passa um avião lá fora e eu pensei que pudesse ser você. Se fosse você lá fora, eu ia te trazer pra dentro, te colocar aqui do meu lado nessa cama enorme e a gente ia conversar até o dia amanhacer. Talvez até o dia anoitecer de novo e de novo e de novo. Sabe como é, quando a gente começa a falar e percebe que há muito mais do que se imagina por dentro, a gente não quer mais parar. Aliás, eu me pergunto onde foi que a gente parou. Por que você me deixou parar? Se dependesse de mim eu ia continuar te esperando e olhando pro céu cada vez que ouvisse um avião passar lá em cima. Mas e a vida, my dear? O tempo tá correndo e eu aqui, dando voltas e voltas. É preciso partir, é preciso andar. Quem sabe eu até não te encontro por aí, nessa de partir. Eu ia adorar esbarrar com você em alguma esquina daquela cidade, onde o vento bate frio e deixa a pele arrepiada. Eu queria tomar um chocolate quente te ouvindo contar as novidades. Mas na verdade, nem precisava de chocolate e novidades, desde que tivesse você. Nem precisava falar também. Eu podia ficar só reparando em como a tua boca parece milimetricamente desenhada. Ou na tua falta de jeito pra arrumar o cabelo quando tá contando uma história ou quando sente vergonha de alguma coisa. Se você não tivesse me deixado... se você não tivesse me deixado parar, eu nunca ia te deixar esquecer como você é bonita. Posso imaginar você descendo do aviao e ah... sempre tão bonita. Os teus detalhes... Ah! Os menores traços são os que eu mais amo em você. Ia mencionar teu sorriso mas é impossível considerá-lo nesse grupo de pequenas coisas. Meu coração bateu mais forte de lembrar quando você gargalhava de alguma piada que eu fizesse e depois dizia 'a gente é muito feliz, né?'. Eu até custava a acreditar que era de verdade de tão bom. E era grande, aquela felicidade não cabia dentro das pequenas coisas nem que eu apertasse e esmagasse.  Tudo virava enorme. Pensa só em como você ia me fazer feliz se chegasse agora e me olhasse sem dizer nada, só me olhasse e viesse andando na minha direção como se não existisse centenas de pessoas ao nosso redor. Porque com a gente sempre foi assim. Contando ninguém acredita mas se você aparecesse e abrisse os braços, eu ia sair correndo na tua direção e não ia ter espaço pra mais nada além da minha felicidade. O problema é que você não vem, não parece, não chega nunca. Você continua aí. Longe, longe, longe, longe... eu queria ficar te esperando, mas o meu corpo tá pesado de viver vagando por aí. Eu preciso de um lugar pra ir, de uma cama menor do que essa pra dormir, pra poder não sentir tanto a tua ausência. O que tá faltando mesmo é sentido, sabe? Sentido, rumo, direção. Ia ser muito bonito se fosse você lá no céu, descendo do avião, mas não é. 

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