Não poderia deixar de te escrever mais uma vez.
Você continua muito bonita. Mesmo sobre passos trôpegos. Seu olhar continua parecendo firme mas agora eu consigo perceber por onde eles se perdem - e se perdem principalmente no escuro, como na noite passada. O suor do teu corpo ainda me arrepia a pele inteira. Pena não passar de um estímulo. Ou não. Pena mesmo é eu não conseguir mais perder a cabeça te vendo sorrir. Acontece que teu sorriso é tão falsamente despretensioso. E eu gostava mesmo era de te ver feliz. Até quis acreditar que você poderia longe de mim. Minha pretensão não permitiu - muito menos a tua falta de espontaneidade. Engraçado dizer como essas pequenezas mudaram. Eu digo engraçado porque eu cheguei a pensar que não sobreviveria sem você pra ver o dia de tudo ter ficado tão diferente da gente. Engraçado porque a vida passa e você descobre que aquilo não foi perda de tempo. Crescer é mesmo incrível. E eu penso que só acontece quando há maturidade suficiente pra transformar uma dor em uma rosa amarela. Aí eu lembrei desse outro dia... Eu conversava com uma pessoa, eu tinha acabado de conhecê-la e na verdade ainda não conhecia - Vezenquando brinco de tentar descobrir quem ela é por trás da minha fantasia sobre quem ela pode ser. (foco) O que interessa é que eu conversava com essa pessoa e ela me falava que os sentimentos não acabam, eles se transformam. Achei de uma verdade tão confortante que abri um sorriso desses que faz brilhar até os olhos. Gostaria de ter conhecido uma pessoa que pensasse assim há muito tempo - e a tempo de ter entendido o que isso quer dizer, sem precisar derramar tantas lágrimas imaginando que nada jamais voltaria a ser como antes com você. Meu coração tem me agradecido desesperado por eu ter deixado o tempo passar. Eu tenho agradecido à vida. Devia não ter subestimado quando Chico dizia que não há nada como o tempo após um contratempo. Veja bem, eu não me arrependo. Sequer consigo lamentar. Te daria todos os beijos de novo e choraria a falta deles centenas de dias outra vez. Talvez se não tivesse sido assim, agora não estivesse sendo diferente. Te escrevendo desse jeito eu chego a duvidar de mim. Mulher sem palavra não vale um tostão furado. Dessa vez eu não desonro minha palavra por você. Não há mentiras em não te amar. Eu falo a verdade e poderia gritar a todo pulmão. Não que me preocupe que os outros me escutem. Mas que me orgulhe o que eu digo. E repito: Não poderia deixar de te escrever pela última uma vez.
2 comentários:
Meu comentário é apenas: !!!
sabe o que eu acho legal? Que a gente ainda é capaz de sentir, mesmo sem toda a tristeza.
Postar um comentário