segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Slap na vida

Te falava de como as tardes têm esse verde mais forte nas copas das árvores, e ainda bem que nossa cidade é cheia delas, então nós podemos sair por aí como se o mundo já não tivesse acabado, como se a vida continuasse e fosse bela, até que ela realmente continua e os verdes ficam mais verdes, os ares mais leves, bem como você diz que precisa, bem como teu coração precisa pra respirar melhor e res-pirar, sem deixar respingar mais nenhuma gota de veneno nos nossos corpos protegidos por banhos desvairados de chuva, de mel, de chantilly, de cerveja barata, de todos os gostos que tiram das nossas bocas o sabor amargo do karma e permitir aos nossos olhos fatigados enxergarem as tardes irem se transformando em noites com o mesmo colorido, verde-vida, de viver, de querer, se quiser, ou não porque essa também é uma possibilidade e nós aprendemos a lidar com ela e adoramos os sins que partem dos nãos, recebemos de braços-sempre-abertos as o-por-tu-ni-da-des que caem do céu, ainda que não caiam bem nos nossos colos gostosos, porque somos jovens e apesar de inconsequentes, nos resta também muito fôlego pra correr quando temos vontade de alcançar, então abrimos as mãos e quando estamos prestes a segurar a coisa entre os dedos, o coração já dá os primeiros sinais de vida, eu disse: vida, e tive que repetir porque nós quase esquecemos que ainda existia uma depois do fim do mundo, você sabe, o mundo acaba mas a vida continua e corações como os nossos nunca param de bater. 

Um comentário:

Bianca disse...
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