sábado, 3 de novembro de 2012

Me surpreendeu que um livro tão bom quanto esse não consiga prender minha atenção por mais do que algumas páginas, que quando passam voando largam no ar um cheiro do perfume que não é teu. Me surpreendeu apenas a facilidade com que você penetra em mim e aparece sorrindo em meio às crônicas, correndo, olhando pra trás como se quisesse voltar por qualquer motivo que nem precise ser eu, nós, ou algum que te faça ficar mais do que três ou quatro páginas desse mesmo livro, assim como se aparecendo somente entre as linhas mais bonitas e não em todo o texto, você pudesse escapar das amarras firmes da minha saudade, dona dessa vontade de te prender pela vida, tão simples é pra você voltar-a-ir-embora, e seguro na esperança de que pelo menos com os olhos voltados pra trás, pra mim, para o mais fundo que há no meus olhos, você queira dizer alguma coisa como "eu também", seja lá o que, porque quando você passa vem por aqui um misturado de tudo e muito e tanto, que bastava você concordar e repetir que você também, quem sabe olhando pra trás no momento de correr no sentido contrário a mim, você queira me entender e deixar que eu te fale de mim e do quanto é invasivo o amor quando decide devorar até a carne desse corpo que te sente no membro perdido, no coração amputado, e embebida na dor do membro fantasma poder juntar pedaços outrora caídos, pisoteados, submersos na dureza do asfalto da verdade de te saber conscientemente distante, embora tão perto.

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