domingo, 13 de março de 2011

Masturbação mental

Sexo é na cabeça: você não consegue nunca. 
Sexo é só na imaginação. 
Você goza com aquilo que imagina que te dá o gozo,
não com uma pessoa real, entendeu? 
Você goza sempre com o que tá na sua cabeça, 
não com quem tá na cama. 
Sexo é mentira, 
sexo é loucura, 
sexo é sozinho, boy.




Dispensou as mãos. Fechava os olhos e não precisava de muito mais do a penumbra que fazia vibrar de dentro pra fora. A vontade antiga que parecia ter saído de um buraco escuro, onde se escondem os melhores do que há de pior nos pensamentos. Uma enxurada deles caindo por cima de mim, gotas de uma chuva ácida à essa sociedade hipócrita e carente de sexo estampado na cara. Fantasias sujas voando pelo teto do quarto, desviando da falsa moralidade nos porta-retratos da estante. Esbarrando assim, (os) cantos, (de) quatro. As mãos suando o lençol bagunçado por velhos orgasmos. Quase sem querer, escapou dos fios de cabelo letras da mesma música, três minutos mais de tesão do que saudade. A cabeça ia de um lado a outro do travesseiro, perdida no passado, buscando no ar poder voltar e res-pirar, apressada-mente. Um banho de mentiras lavadas com água benta, amém. O erotismo devidamente purificado com todo o prazer que podia escorrer pelos cantos daqueles olhos apertados. Mergulhando numa consciência quase negra, ia encontrando pelo caminho os gemidos perdidos pela rouquidão dos cigarros e vodcas. Os gritos aumentando a medida que as lembranças arrepiavam a pele das costas. De repente as línguas memoráveis de outrora pra sempre grudadas nos ouvidos, escorrendo pelo pescoço, apareciam pra fazer tremer as pernas duras. Os músculos tomados de desejos discretamente reprimidos, corriam soltos pela cama. E os dentes rangendo com raiva por ter que segurar na boca a obscenidade, ao invés de cuspir esse líquido grosso na cara de quem vê e não quer enxergar. 

- O cérebro pulsando como se fosse o coração batendo - e talvez ainda fosse.

Um comentário:

Luana Ramos Rabelo disse...

e o cérebro que pensava aquele sexo não ser tão bom quando tinha, agora virou o motivo das pipocas noturnas. deveu muleque! (tinha que terminar comica pra não ser trajico)