Incontáveis foram todas aquelas vezes em que ouvi repetida e lentamente nas noites daquele ano. Depois de lembrar de você, hoje foi diferente. Então I-could-not-love-you-any-better teria significado o contrário do que eu sempre quis pensar. O motivo de ter sido daquele tanto é o mesmo de não poder jamais ser menos - Eu poderia passear por essa conclusão a madrugada inteira. Quando havia loucura, eu tinha uma justificativa. Agora tenho as mãos vazias de insensatez e nada me resta a fazer - fazer nada, fazendo tudo. Quer dizer I could not love you any better, em linhas tortas: não vai passar disso aí. Sem a loucura de não pensar antes de fazer e sair pulando poças, tropeçando em pedras e caindo feio em buracos, sem essa loucura eu não posso mais. Parta talvez de um grande egoísmo da minha parte, porque enfiei na cabeça que só vale quando eu puder extrapolar todos os limites e inventar que eu adoro o perigo. Enquanto eu podia inventar, eu podia também encher a boca pra jurar que sim, claro que sim, de todas as formas era sim. Imagina que eu nunca saberia quando tudo era de verdade e quando tudo podia ser nada e não passar disso. Desconfio que a loucura seja a forma mais absurda de viver. Mas é também a única forma possível de dar certo: sem nem um pezinho na realidade. Pulando, tropeçando e caindo por ruas que talvez nunca existam, mas que são, sem dúvida, as mais lindas, mesmo que. Só serve se eu puder embarcar de olhos bem fechados. E se tiver mesmo amor, não há o que precise enxergar. Aqueles óculos velhos já não servem aos olhos de quem já não acredita no que vê.
- Que da loucura parta o amor!
Aconteceu hoje cedo de eu precisar forçar os olhos, sem poder entender o que tava escrito na carta, então minhas mãos, como ligadas em algum modo automático, alcançaram os óculos na cabeceira. Depois de ter lido e relido tuas palavras, tirei os óculos pra pensar no que senti. – Você percebe que há excesso de sentido nisso? - O distorcido não havia incomodado antes, eu não sabia funcionar em automático e desconhecia a possibilidade de pensar no sentir. Me acostumei com a falta de argumentos sendo uma boa explicação. Pela primeira vez me vi totalmente cercada dessa coisa mais real, menos patológica. Nem importava o que era aquilo. Importava que eu podia entender o que me acontecia quando. Daí a incapacidade de voar-louca porque o corpo pesa de cabeça e não de coração. - Com o corpo preso à terra, não há diabo que carregue nem Deus que leve. Não sobra a loucura mas falta. Não há de enlouquecer a falta do (des)esperar - Não há o amor desesperado. Então a música veio distante, mas deu pra ouvir lenta e re-pe-ti-da-men-te I could not love you any better............................................................. Quando ainda irremediável: sim, agora remediado: não mais.
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