segunda-feira, 30 de maio de 2011

codinome-beija-flor

Primeiro o piano pesado, quando se esperava alguma coisa leve. Depois parecia culpa da força do violino que havia por trás da voz. Aquela voz rouca de cigarros ia dizendo e se arrepiando, ficando pesada, cansada das próprias palavras repetidas. Aquele jeito torto de usar palavras articuladas por doses de vodca que amortecessem a dor de dar um tiro nos próprios pés, beija-flor. 
O som ia ficando mais alto mas só dentro da cabeça, onde podia se desesperar em paz, se é que isso existia. Mergulhando de olhos fechados quem sabe pra entender melhor, então começava e se perguntava afinal pra que mentir, fingirtentar, não seria pedir demais se a emoção tivesse realmente acabado? e se fosse mais coincidência do que amor? ele teria razão e continuaria ainda por mais algumas estrofes inventando mentiras que aos poucos viravam verdades, mas também só dentro da cabeça, porque lá era permitido esse tipo de contradição, ou era no coração? de repente a nossa música nunca tivesse tocado ou nunca tivesse existido, embora permanecesse latejando em algum lugar dos nossos corpos, e os corpos suavam as lembranças em seguidas tentativas inúteis de destilar-terceiras-intenções, des-per-di-çan-do qualquer coisa assim como mel, flor em flor, e principalmente entre os inimigos, aí lembrava que tensão dava um tesão desgraçado, e depois lembrava que era justamente disso que fugia e protegia a si mesmo protegendo o teu nome por amor, ou fosse o que fosse, diria também que tomasse cuidado com as asas e com a liberdade porque ambas tinham limites delicados e que não respondesse à qualquer um na rua, que a possessividade de tão forte sobreviveria mesmo ao fim do amor e dentro da tua orelha fria só eu podia dizer segredos (...) você sonhava acordada, com jeito de não sentir dor, prendia o choro e aguava o bom do amor.

Um comentário:

Vereneura disse...

aí eu fico com codinome beija-flor na cabeça.