domingo, 19 de junho de 2011

Meu príncipe pequeno,

Você aí, nem tão perto quanto parece, mas logo ali tão ao meu alcance que posso ouvir a tua risada e daqui do meu lugar, sorrio junto. Vontade de pegar nas tuas mãos e correr por aí, pela vida, pela rua, pegar o sol do meio dia e dizer que é preciso arriscar pra criar anticorpos, que na sua idade é preciso viver sem pensar, já que tem muita gente pra fazer isso por você. Qualquer dia te pego e te levo sem avisar ninguém, sem olhar pra trás, bem como a gente adora fazer, sair à francesa, com um sorriso aventureiro no rosto, e com olhos de viver, de vontade, de sede, de querer tudo e mais nada. Me arrisco a seguir teus primeiros passos quando você deveria seguir os meus. Você é meu caminho pra felicidade e eu deveria te dar exemplo de vida, mas eu penso que a minha vida sem a tua felicidade... não! Vida sem felicidade é como morrer. Como antes de você, eu ia existindo, não vivendo. Sobrevivi com o teu pretexto de fingir que o resto do mundo não importa e as dores também não. Aprendi a viver de brincadeira como se ela fosse verdade. Falo dessa vida que nasceu em você e foi crescendo em mim assim, pelos lados, sem que eu percebesse exatamente o que era e era você, era a tua alegria nos olhos, a simplicidade de sorrir com os olhos. Como eu acho apaixonante  ter olhos de sorriso, e eu, ah, eu me apaixonei por você da maneira mais clichê, que é justamente a maneira que dá certo, talvez antes de te conhecer, mas só de saber que você existia em algum lugar. Aí você apareceu com dia e hora marcados e eu tinha no coração uma ansiedade de te colocar no meu colo e te segurar com cuidado. Parece que eu podia te proteger do mundo inteiro, mas quem precisou não foi você e meio sem saber exatamente o que tava fazendo,você foi cuidando de mim como eu deveria cuidar de você e os papéis foram se invertendo, você não era mais a criança e quem me puxava pelas mãos era você, me mostrando aonde queria chegar, me levando por aí e eu ia indo porque era esse teu jeito de dizer o que quer, sem saber como falar, que me deixava com cara de apaixonada e te olhando por horas, tentando acertar o ritmo da tua respiração contra o meu peito. Quando não era em paz, era a tua bagunça pela casa, pelos meus livros, meus cantos e o desejo dos adultos, depois de descobrir que a vida é cheia de imperfeições, de voltar a ser você, a ser criança, sorrir com o brilho dos olhos e confundir o meu com o dele com o nosso, misturar o de todo mundo na mesma bagunça, esquecer de lembrar, trocar as palavras, porque aí sim a imperfeição é bonita junto com a vida e o que sobra é o teu jeito sem jeito de fazer as coisas do jeito certo. 

Um comentário:

Anônimo disse...

E quando menciono a tua força, tu não me acreditas. Eu bem acho que você é o que é, essa boniteza toda, por causa dele e porque deve ter muito dele em ti, mesmo.
Também tenho o meu príncipe, mas esse ainda não aprendeu a andar. Branquinho, tão parecido comigo e, ao mesmo tempo, tão diferente.

Eles têm a pureza que a gente não tem, Liliane. Mas a gente tem e é toda amor, ao menos.

Tu és linda escrevendo desse jeito, vem cá vem, pr'eu te abraçar agora.