sábado, 27 de novembro de 2010

"E qual é o sentido de voltar pra casa no final do dia?" - Você nunca tinha me feito uma pergunta tão difícil. 

O que eu senti na hora em que você enterrou suas lágrimas nos meus olhos foi vontade de construir um muro de Berlim entre você e o resto do mundo. Mas quando eu olhei em volta tudo o que eu tinha em mãos era um desespero quente. Você nunca precisou de mim antes e só eu sei o quanto preciso de você. Você continuava me olhando chorando falando pedindo. Queria te pedir desculpas porque não prestei atenção no que você tava me dizendo. Na minha cabeça eu só conseguia planejar um jeito de cuidar de você. Não importava o que tinha te deixado tão triste, eu só queria garantir que isso nunca mais fosse acontecer. Eu não suportava te sentir carente e com medo. Eu sei, eu sou carente e tremo de medo. Mas é que você tá lá no alto pra mim.  Você é majestade, não pode cair, eu não posso te ver sem ter forças pra levantar. 


Me ocorre que o sentido é você. Eu digo... a minha alegria de voltar pra casa é o jantar que você preparou. O meu primeiro bom dia do dia é olhando nos teus olhos caídos de sono. Na hora do almoço você tem uma quantidade absurda de trabalho e eu mal te vejo, mas a cada vez que eu como uma comida que não é a tua faço uma lista de sugestões pro restaurante melhorar. Você vê? Pensando acordando querendo te amando você é o meu motivo. 

Eu não podia te responder que o sentido de você voltar pra casa sou eu, porque ia tá pensando só em mim. Você me ensinou que o amor é cheio de regras, e se eu não me engano, a primeira é não ser egoísta. Eu não concordo, mas faço questão de seguir cada uma das tuas lições pra te deixar com muito orgulho. Não sei se teu motivo, mas eu ainda vou ser o teu orgulho.

Lembra de como você se preocupa em não me deixar fazer nada de errado; Lembra de que você nunca me deixou cair; Lembra de todas as frases bonitas que você anotou dos filmes pra me mostrar que o amor é lindo, apesar de tanta dor; Lembra do amor. 

É mais importante entender pra que a gente faz as coisas e não porquê. Pra mim é o meu bom dia que te faz acordar sorrindo. É por causa das minhas reclamações que você cozinha tão bem. Pra mim é a vontade de fazer o meu jantar que te faz sair com pressa do trabalho. É o nosso dia-após-dia que mantém nossos corpos cansados e  nosso amor vivo.


Não sei te responder qual deveria ser o seu sentido de voltar, mas desconfio que.

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