É como se a gente não soubesse
pra que lado foi a vida (...)
pra que lado foi a vida (...)
E ficou o cheiro pelo ar.
Eu guardo uma coisa, es-pan-to-sa-men-te, bonita de você. Muito clara, quase branca, sabe? Branco, claro, frio. Embora tenha muito dessas cores de inverno nas minhas lembranças, você pareceu mais com amor de verão. Não consigo te transformar em nada de ruim que eu traga aqui por dentro. E olha que eu já tentei umas três ou quatro vezes. Desisti quando percebi que te olhar e ficar feliz por te ver, é muito melhor do que viver me esquivando pra não esbarrar em você por essas esquinas. Aliás, nos últimos dias eu passei várias vezes na frente da sua casa e daquele lugar ali por perto, onde a gente tomou um café e você me escreveu um bilhetinho no guardanapo; alguma coisa sobre saudade, não era? Daí resolvi não desviar mais o pensamento, tipo we just don't care, we just don't care. Ao invés de fugir, eu resolvi ouvir nossa música no repeat até quase morrer de saudades de ler tuas mensagens. Abri o livro que você me deu e ainda tinha um pinguinho do teu cheiro em algumas páginas. Depois peguei aquele outro livro que você também leu e brinquei de tentar adivinhar quais marcações você tinha feito nele. Pode perguntar qualquer parte, porque eu tenho na ponta da língua os trechos dele que você mais gostou (...) Olha, não é mentira essa coisa boa que eu tenho por você, viu? Acontece que em dias de chuva, essa leveza molha e pesa. Daí eu preciso de um abraço pra não esquecer que você me deixa tranquila. Sabe, talvez esse seja o porquê daquela ânsia por te querer a todo minuto. Sou uma pessoa tão cheia de neuroses histéricas e alguns traços obsessivos, que acabei me impressionando com a vontade que eu sentia de só ficar quietinha perto de você, entre a bossa nova e a MPB uns olhares previamente saudosos davam aquele toque de urgência que fazia tanta diferença. Acho que você foi o que eu tive de mais urgente durante duas semanas. No final, só de ter conseguido um tempo pra te ver, mesmo que fosse mesquinho, não importava, já valia pra não sentir como se a gente tivesse menos um dia. Aquela sua meia horinha sempre virava hora e meia e duas e três... Taí, quando eu tava com você, não existia tempo-espaço. Engraçado é que eu estive procurando, exatamente, por isso uns meses antes dessa tempestade cair. Mas só me dei conta de que tinha te encontrado, depois que a gente viu o pôr-do-sol, você me falou da sua vida, depois me perguntou da minha e lá pelo terceiro pôr-do-sol eu já rezava pro tempo ser meu camarada e correr quando eu tivesse que ficar longe. Mas enquanto a hora de ir não chegava, passou a terça-feira, a quarta, a quinta, o final de semana e mais a outra semana inteira e aí não dava mais pra voltar atrás, porque eu já era inteira paixão. Minhas pernas me desobedeciam igual aos meus pensamentos, que não queriam mais te largar. Uma pena a distância e o depois... A saudade eu nunca lamentei. (...) Apesar de ser quase transparente, é verdadeiramente-viva. Igual a chuva.
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