segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Quando digo que sou meu próprio sintoma da cabeça aos pés, eu quero dizer: 
1) Tenho insônia.
2) Fico com asma.
3) Minha cabeça só falta explodir.
4  Morro de dor no estômago.
5) Vivo com enjoo.
6) Minha rouquidão nunca passa. 

Em outras palavras: sou craque em converter sentimento ruim em desajuste orgânico. 

Ou ainda: 
1) Não consigo dormir porque tenho medo dos meus sonhos se transformarem em pesadelos durante a madrugada.
2) Tenho falta de ar pra não ter que assumir que sinto falta de alguém.
3) Minha cabeça cansa quando eu insisto em passar o dia inteiro pensando na mesma coisa. 
4) Desconfio que o mundo tá me passando pra trás e parece que é um soco no estômago. 
5) Engulo o que não presta e depois que me faz mal, tenho que vomitar. 
6) Fico sem voz pra não ter que soltar palavras que, provavelmente, doeriam mais em mim do que em quem escuta.

E tudo isso só porque eu tô o tempo inteiro resistindo a quem eu não deveria ser. Um psicanalista ia dizer que sou uma histérica doida pra me tornar obsessiva. Ou seja: tento me esconder no meio de toda a bagunça que eu mesma faço. Tento dormir antes das onze pra não acordar depois das nove. Me aborreço quando perco um dia de academia e agora uso post it na parede pra me organizar. Odeio quando esqueço algum compromisso importante e aproveito pra esquecer que se fosse importante, realmente, não teria esquecido. Continuo tentando ir todos os dias pra aula e dou um jeito de também não faltar a auto-escola. Em resumo: me desdobro em mil pra deixar de ser só uma (a que eu não deveria ser).