Naquele dia a gente foi só dar um passeio. Sua hora do almoço continuava parecendo pela metade e nosso amor ainda vivia corrido. Mas não tinha problema. Eu juro a você que não tinha problema o calor que fazia ou a chuva que eu tinha que pegar pra te encontrar. O que me valia era quando eu entrava no teu carro. Era quando você me olhava e reclamava da minha demora. Você dizia que a gente não tinha muito tempo e eu não entendia que isso era amor, não pressa. É uma pena que só agora eu perceba que o que me valia era poder segurar a tua mão, encostar a tua perna, te dar um beijo cronometrado pelo tempo de um semáforo. E daí se eu brigava com a tua falta de tempo? O que eu tinha de mais bonito era aquele pouquinho que era só nosso, ali dentro, eu e você e só. Eu sei. Eu te fazia dar várias voltas até chegar em frente a minha casa. Eu sei. Eu não queria te deixar ir embora nunca. Mas você ia. Você sempre ia, mas sabia que ia voltar. Eu e você sempre soubemos que você ia voltar pro mesmo lugar, pra mesma hora apertadinha, pro mesmo amor apressado. Mas agora você foi e eu não sei de você. Eu não sei onde, nem pra onde nem com quem.
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