quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma história de perfume

Perdi a conta de quantas vezes você já mudou. De perfume. Perdi a conta. Eu gostava mesmo daquele primeiro, aquele era o teu cheiro. Era nosso. Minha inspiração até pra escrever. Ferrari Black, você disse quando a gente se conheceu. Eu não entendia de onde vinha, mas parecia pó de pirlimpimpim. E lá ia eu pra outro mundo. Prende, inebria e entontece. No pescoço. O seu. Lá é onde mora o perfume. E nas minhas mãos. Pelo teu corpo, na minha pele. Você mudou de novo. O perfume. Você não gostou? você me perguntou como se eu pudesse dizer que não. Não podia. Então amei. O que veio logo depois grudou. CK One. Quase me confundi e esqueci que eu gostava mesmo do que você era antes. Do perfume. Pregado por todas as partes do meu quarto. Na minha cama. Você não devia ter mudado pela terceira vez. Pareceu traição. Tinha que ser pra sempre. Quero dizer, o perfume tinha que ter sido o mesmo. Da primeira até a última. Talvez se nada tivesse mudado. Quem sabe não existisse a última. Lá pelo meio eu te encontrei e aí o perfume voltou. Você quase me enganou pela quinta vez. Você confunde meu olfato apurado e o tato e o paladar a visão. Vezenquando sinto teu cheiro em alguém. Não o de ontem, o de antes. Ainda dá pra voltar a ser como era? Esse cheiro embebeda. É concentrado forte intrínseco seco viciado viciante. Você, o perfume. Volta que vai ser como se você nunca tivesse mudado. O perfume.

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